O
pontapé inicial para esse post se deu em uma viagem que fiz com minha esposa a
Cantora Josyelem, louvando ao Senhor nesse nosso Brasil. Na ocasião, estava
pregando um renomado preletor com quem passamos a compartilhar uma amizade
abençoada.
Ao
final do culto, estávamos lá na porta com nossos materiais e uma irmã bastante simples,
que não dispunha de muitas condições financeiras, passou a conversar conosco,
e, percebi que somente nós conversávamos com ela. Ela parecia invisível para as
demais pessoas que por ali passavam. Chegaram a querer incomodá-la, dizendo
para ela não ficar ocupando a cantora e o pregador, mas, como não faço pouco
caso de ninguém, disse que estávamos conversando.
Ela
começou a contar a sua história (e que história!) e a triste realidade daquela
igreja.
Contou
que já fora moradora de rua, viciada em todo tipo de drogas, que já fizera
coisas terríveis para sustentar o vicio. Contou que ficara um longo tempo
internada em um hospital devido a uma grande queda que sofreu quando tentou
suicidar-se pulando de uma ponte e mostrou-nos vários parafusos que tem em seu
corpo. Contou como Deus havia transformado a sua vida e a sua história.
Quando
ela contou esse testemunho maravilhoso, ficamos curiosos para saber por que ela
não era bem aceita naquela igreja. Ela
simplesmente disse que naquela igreja, não gostam dos pobres e, como ela mora
na periferia, e conversa e prega para os mendigos, as prostitutas e todo tipo
de gente que a sociedade rejeita (já que ela já foi um deles), eles não a
aceitavam bem.
Contou-nos
um fato muito triste que aconteceu naquela igreja dias atrás: ela ia para a
igreja quando viu um mendigo e conversando com ele, expôs o amor de Cristo e o
convidou para ir a sua igreja. O mendigo aceitou, mas, para a surpresa da irmã,
quando ela chegou com o mendigo na porta da igreja, mandaram ele ir embora, não
o deixaram entrar. Disseram que lá não era lugar para ele.
E
ela, então, armou o maior barraco durante o culto, afinal, se tratava de um ser
humano que precisava de Jesus. Enfim, no calor da confusão, ela entrou com o
mendigo na igreja e ele pode assistir ao culto. Depois, é lógico, ela foi
chamada na “salinha do pastor” e teve lá seus desentendimentos com o mesmo, mas
que tudo se resolvera.
Essa
é apenas uma face do retrato de muitas igrejas evangélicas no nosso Brasil.
Estamos vivendo um fenômeno muito negativo: a ELITIZAÇÃO DAS IGREJAS
Hoje
em dia é status ser evangélico. As igrejas estão com templos cada vez mais
ornamentados, de forma a receber confortavelmente os membros, que deixam seus
carros importados nos estacionamentos e se assentam em suas luxuosas cadeiras,
vão comer uma picanha no final do culto, pensando que isso já é o suficiente
para sua salvação.
Quero
deixar claro que não penso que o crente deve ser pobre, muito pelo contrário, Deus
tem abundância para nossas vidas físicas e espirituais, mas achar que só isso é
o suficiente é ser medíocre.
“Se esperamos em
Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens”
1 Coríntios 15:19-20
1 Coríntios 15:19-20
A
ELITIZAÇÃO DAS IGREJAS é um fenômeno lamentável. Isso me entristece muito. Como
pode a igreja de Cristo rejeitar os pobres e as viúvas, os mendigos e as
prostitutas? Afinal, a quem fomos enviados? Ora, os sãos não precisam de
médicos, mas sim os doentes.
“ OS SÃOS NÃO PRECISAM DE MÉDICOS E SIM OS
DOENTES “ . MATEUS 9 : 12
Vamos analisar tudo isso à luz da palavra.
De uma forma bem simplificada, a
sociedade na época de Jesus era organizada da seguinte maneira: no alto da
pirâmide social estavam os saduceus, a elite sacerdotal e os
grandes proprietários de terras. Logo abaixo, vinham os fariseus, elementos do
baixo clero, pequenos comerciantes e artesãos.
Numa sociedade
machista, abaixo estavam as mulheres e as crianças, os servos, e, na parte mais
baixa da pirâmide, estariam os leprosos ou aqueles que padeciam de alguma
doença que os tornava “imundos”.
Na verdade, ao observarmos os passos de Jesus,
vemos que, em seu ministério, Ele virou a pirâmide social judaica de cabeça
para baixo.
Quem era prioridade no ministério de Jesus: os
doentes. Mulheres outrora discriminadas ele oferecia uma nova chance. Às
crianças Ele ordenou que deixassem vir a ele pois delas é o Reino dos Céus.
Achei relevante esse trecho da matéria da
SUPERINTERESSANTE, por José Tadeu Arantes, que transcrevo abaixo:
“A ação de Jesus
transcorreu principalmente entre os pobres e marginalizados de seu tempo. A
fértil região da Galiléia,
onde presumivelmente passou a maior parte de sua vida, abrigava uma população
miserável, vista até com desconfiança pelos judeus conservadores. Como lembra o
estudioso Paulo Lockmann,
bispo da Igreja Metodista
no Rio de Janeiro, quando Jesus disse "bem-aventurados os pobres em
espírito", era dessa população rústica que ele falava.”
Vamos
ver o que a palavra de Deus diz a esse respeito:
Mateus 23.23
“Ai de vós, escribas
e fariseus hipócritas! Pagais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e
desprezais os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia, a
fidelidade. Eis o que era preciso praticar em primeiro lugar, sem contudo
deixar o restante.”
Realmente, a palavra
é bem clara, e eu sugiro que leiam o capítulo 23 inteiro de Mateus, e podem se
assustar. http://biblia.gospelprime.com.br/vc/mateus/23/
Meus irmãos, não
sejamos hipócritas. Precisamos trabalhar para o Reino de Deus, precisamos nos
envolver na Obra Social, que é um ministério tão importante quanto os demais.
Vamos olhar pelos órfãos, as viúvas, as pessoas que vivem marginalizadas,
oprimidas por vícios, Jesus não veio para os sãos, e sim para os doentes.
(MT 22:35-40) [...] Mestre, qual é o grande
mandamento da lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu
coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e
primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como
a ti mesmo. Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas.
Sei que falar é
fácil, mas posso falar da minha experiência. Este ano o ministério Cantora
Josyelem, do qual faço parte, está trabalhando voluntariamente no Lar
Comunitário Frederico Ozanam, em Ouro Branco, MG, onde moram 48 idosos. Todas
as semanas, vamos até lá e fazemos momentos de louvor, música e alegria, em um
culto. Conversamos com eles, levamos a palavra, ajudamos, trocamos
experiências, e tem sido muito gratificante.
Em Tudo Deus seja louvado!
Você tem o direito de concordar e de discordar.
Peço que seja inteligente e delicado ao criticar.
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Natan Oliveira